A implementação da reforma tributária, prevista para começar em janeiro, vem revelando diferenças entre a Receita Federal, os Estados e os municípios quanto à estrutura tecnológica que dará suporte ao novo IVA dual, segundo reportagem do Valor Econômico. Apesar de o modelo ter sido concebido para funcionar de maneira integrada, reunindo a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado por Estados e municípios, estão sendo construídos dois sistemas distintos. Empresas do setor de tecnologia ouvidas pelo jornal apontam que eventuais diferenças de leiaute, atualização e procedimentos operacionais podem aumentar a complexidade de integração para os contribuintes e abrir espaço para novos conflitos tributários. O Centro de Cidadania Fiscal, onde se originou a proposta da reforma, sustenta que a manutenção de plataformas separadas seria inconstitucional. Pelo novo sistema, a mesma nota fiscal deverá discriminar CBS e IBS, permitindo a apuração de débitos e créditos ao longo da cadeia econômica. Divergências já observadas nos ambientes de teste aumentam, conforme a reportagem, a preocupação de que a existência de estruturas administrativas paralelas reduza os ganhos de simplificação buscados pela reforma.