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29/06/2026

GOVERNO PRETENDE RETOMAR DEBATE SOBRE TRIBUTAÇÃO DE TÍTULOS ATUALMENTE ISENTOS DE IMPOSTO DE RENDA

A possibilidade de tributação de investimentos atualmente isentos do Imposto de Renda poderá voltar à agenda do Governo Federal nos próximos anos. Embora a proposta tenha sido abandonada em 2025 diante da resistência do Congresso Nacional e de agentes do mercado, integrantes da equipe econômica seguem defendendo a revisão do regime tributário aplicável a esses ativos, sob o argumento de que as isenções comprometem a neutralidade do sistema e reduzem a arrecadação da União.

A discussão envolve títulos amplamente utilizados por investidores e por setores estratégicos da economia, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), debêntures incentivadas, além dos rendimentos distribuídos por Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

A última tentativa de alteração ocorreu em junho de 2025, quando o Ministério da Fazenda editou medida provisória propondo a incidência de Imposto de Renda à alíquota de 5% sobre os rendimentos desses investimentos emitidos a partir de 1º de janeiro de 2026. A proposta preservava a isenção para os títulos já emitidos e buscava estabelecer uma tributação reduzida em comparação às demais aplicações financeiras, cuja alíquota prevista era de 17,5%.

Durante a tramitação legislativa, contudo, o texto sofreu sucessivas modificações. O relatório apresentado na Câmara dos Deputados restringiu a tributação apenas às LCIs e LCAs, elevando a alíquota para 7,5%, enquanto mantinha a isenção para CRIs, CRAs e FIIs. Posteriormente, diante da forte reação do mercado e de representantes dos setores imobiliário e do agronegócio, o próprio Governo Federal recuou e decidiu preservar também a isenção das letras de crédito.

Além da oposição do setor produtivo, a proposta enfrentou resistência dentro da própria base governista. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, defendeu publicamente a manutenção da isenção das debêntures incentivadas, destacando a importância desses instrumentos para o financiamento de projetos de infraestrutura. Sem consenso político, a medida provisória perdeu eficácia após não ser apreciada pelo Congresso dentro do prazo constitucional, mantendo-se inalterado o regime atualmente vigente.

Apesar da derrota legislativa, a equipe econômica continua sustentando que o modelo de isenções produz efeitos negativos sobre a economia. Entre os argumentos apresentados está a concentração dos benefícios em investidores de maior capacidade financeira, a criação de incentivos que direcionam artificialmente a alocação de recursos para determinados setores e a redução da eficiência da política fiscal.

O tema também encontra respaldo entre economistas que defendem a revisão dos incentivos tributários. Segundo essa corrente, a manutenção das isenções representa uma forma de gasto tributário que não se submete ao processo orçamentário tradicional, além de pressionar o custo de financiamento da dívida pública ao tornar determinados ativos privados mais atrativos do que os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Embora o Governo reconheça que o ambiente político atual não seja favorável para retomar a discussão — especialmente diante das tensões entre Executivo e Congresso e do contexto eleitoral — a expectativa é de que o assunto volte à pauta em eventual novo mandato presidencial.

Sob a perspectiva tributária, a discussão transcende a simples criação de um novo tributo. Trata-se de um debate sobre a racionalidade dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado, o equilíbrio entre políticas de estímulo a setores estratégicos e os princípios de neutralidade e eficiência que orientam a construção de um sistema tributário mais uniforme. Caso a proposta seja retomada, os impactos poderão alcançar não apenas investidores pessoas físicas, mas também os mercados imobiliário, do agronegócio e de infraestrutura, que historicamente utilizam esses instrumentos como importantes fontes de captação de recursos.

 

 

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